segunda-feira, 22 de março de 2010

Páginas jogadas ao chão.

"Para que o que fica na memória não seja apagado pelo tempo.


Eu cresci na região conhecida como Artol, no sul de Artória, sobre as sombras das grandes Cordilheiras dos Picos Nevados. Cresci ao pé de lareias aquecidas, chalés baixos, ouvindo as histórias de meu avô, sobre os gigantes azuis das montanhas, sobre os fantasmas da neve, sobre a guerra dos Anões que lá viviam. Eu fui levado ao grande centro da civilizaçao, Damaria, o coração do Império , e tive tantos quantos tutores puderes imaginar, filho de um Duque Damariano, criado em solo do norte na casa dos avôs pela infância, eu encarava um destino que nunca esperara para mim - me tornar um aristocrata da alta elite Damariana, cuidar das terras de meu pai, honrar a família. Conheci quando tinha dezesseis anos e ela quinze, lembro-me que achei estranho conhecer tão velha minha irmã, nos entendiamos, ela carregava certa mágoa de mim, mas eu sabia que me amava - como irmão e quicá como mais e eu também.
Aos vinte cinco, meu pai morrera, eu assumi os negocios da família e ela , , retornara. Ela fora mandada ao Sul por meu pai, porque ele havia percebido o que se passava entre nós, procurando esconder a vergonha, e as consequências que poderia arrumar para a família, ele a mandou para uma renomada escola ao sul, para que fosse educada e volta-se com letras. Quanto a mim ele armou um casamento com a filha mais nova de um amigo próximo, selando assim uma aliança poderosa entre duas famílias de guerreiros. L'aiçon e Dussefere.
Eu odiava essa falsa-esposa, este falso-amor. Queria por tudo que se fosse, mas não havia em mim coragem. Meus sonhos infantis, das montanhas e histórias de meu avô eram uma lembrança distante do frio do Norte e meu amor, despedaçado , retornara do Sul para o funeral de meu pai, casada.

Me tornei um senhor da Guerra como fora meu pai. Estravazei sobre os inimgos do Imperador, e do Império o ódio que poderia dispensar a minha própria vida.
Fiz inimigos. Atormentei a vida dos que gozaram do amor verdadeiro, dos que se colocaram como puros, como justos e nobres.
Não há nada de nobre nessa vida, e além dela, que não possa ser corrompido.

Anos de Guerra concluiram o que eu tinha ido buscar. Em meu tormento eterno, matei.
Irmã, sobrinhos, minha mulher e filhos. E condenei o marido de minha irmã a danação ainda pior - o mantive longe, o confundi, lhe dei inimigos, o fiz matar por mim e no final, lhe contei a verdade - matei seu coração e sua mente, sem tirar-lhe uma gota de sangue.


Morri. Traído. Odiado. Sozinho. Amaldiçoado.

Morri este ano, este primeiro ano de minha morte.
E escrevo para não me esquecer de quem fui, atormentado meu passado que seja.
Hoje, meu presente é pior.

Já não sinto.
Tudo o que posso é recorrer as minhas memórias."


D.