Em geral se preocupam com coisas triviais, são deveras muito irritaveis, e têm sangue quente, em ambos os sentidos.
Algumas amostras demonstram perceber o mundo de uma maneira a qual usava sentir. Talvez seja isso, eles ainda sente, eu, não sei. Sou um poço de memórias, me apego aos meus antigos desejos para continuar pensando que sinto, mas se sinto ou não, não é este o meu assunto. Estou registrando porque hoje me ocorreu algo bastante interessante, eles mentiram para mim.
Ao invez da usual resistencia, dos gritos e das brigas com os meus servos, eles logo se abaixaram e permitiram que eles se aproximassem. Essa mudança me impressionou, por quê? Quando percebi um deles havia conseguido remover uma das barras da cela, e a usou para atingir a cabeça de um dos meus servos. Ah! Que genialidade! Finalmente! Mal podia esperar. Tão acostumados a me obedecer já haviam se esquecido dessa capacidade de inovar. E é aí que mais preciso deles. Preciso de um deles que colabore, mas ao mesmo tempo se mantenha vivaz, se mantenha como eles devem estar, vivos. Os vivos que já estão mortos não me interessam, não criam, não são interessantes.
Ah! A estaticidade da não-vida nos torna apaticos, não há idéias para criar, porque pouquissimas são as minhas inquietações. E eu tenho, definitivamente, muito tempo. Até onde sei, todo o tempo. Esse vício correu minha antiga veia de um estudioso do Arcano dedicado que usava ser. Passei a me desfrutar observando com uma amplitude de sentidos muito grande que não experimentava na minha condição mortal, porém, nada nasce nesse solo putrido, assim como nenhuma idéia nova, nenhum sentimento novo, nada novo nasce em mim. Efetivamente, sou algo que atravessou o tempo, uma memória que remanesce e se recusa a deixar de existir, porém, sua existencia, minha, se tornou tão... vazia, que é necessário buscar sorver todo sentido possivel, e portanto, observar, e portanto, lembrar. E assim, evitar me tornar apenas uma morte que anda.
Quando estes amadurecerem vou leva-los ao laboratório, explicar-lhes detalhe adamente, dar-lhes acesso ao meu vasto conhecimento. E aí uma unica coisa que percebo, uma memoria gritante talvez? Mas meu fascinio antigo pode ser levemente saboreado quando os vejo tentar, criar, pensar.
Oh! Que belo, queria ser capaz de me sentir empolgado com todas essas coisas, mas cinco séculos a fazer as mesmas buscas já me tiraram o prazer desta memória.
Ah, que fim! Onde ele estará?
gosto do blog
ResponderExcluirvirei ca mais vezes