segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Perseguição.


"Já não sei quanto tempo estou viajando, com todas as minhas forças resisti para não assassinar os companheiros que me perseguiram na floresta, mas já é tarde demais, seus corpos jazem na beira do riacho onde me encontraram, todos mortos. Creio ter algum tempo até a próxima lua cheia, estou na trilha de Lucius Wolfbren, a criatura que me mordeu, eu vi seu rosto durante as primeiras noites, preciso encontra-lo, há dias farejo por seu rastro, não pode estar tão longe."



"Estou a alguns dias na cidade, nada de Lucius. Faltam ainda alguns dias até a lua, já encontrei um lugar para me isolar por este período, minha maior dificuldade é o apetite pela carne crua, sinto-me doente, impelido a me alimentar, nada sacia esta fome."


"Segui suas pistas, apesar das dificuldades que tenho, continuo tão astuto e um pouco mais rápido que antigamente, ele matou uma familia de fazendeiros, no norte, e deixou um rastro de morte que o evidenciava - aos poucos , me aproximo de seu lar"


"Longa conversa com Lucius, luta limpa, rápida. O homem contou me sobre a Licantropia, doença que causa a transformação nesse hibrido selvagem de lobo e homem que me tornei, me disse que preciso matar a origem e que mata-lo não fechava o ciclo, ele, como eu, era apenas mais uma vitima, e minhas mãos agora já estavam manchadas com o sangue de um homem que perdeu sua vida para o infortunio, e seu infortunio final foi a lâmina de minha espada. Senti pena, e medo também, é uma questão de conseguir me ver nele. Seu profundo desespero, suas frases desconexas, sua humanidade que se perdia, frente ao horror de ter se alimentado de sua própria familia, frente ao horror de ser o assassino daqueles que amou, e tremenda solidão a que se impôs. Já não sei dizer quem sou eu, e quem é ele. Sigo, para o norte, procurar pelo "lobo cinzento", Lucius disse que ele é a origem, um enorme licantropo cinzento."



- Fragmentos, Diário de Viagens de Johannes

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