E os gritos que misturavam dor e fúria ecoavam por todo monastério.
O jovem acólito Johannes havia chegado ferido, trazido por seu companheiro, Arion, há algumas noites, e ainda inconsciente, gritava e urrava de dor por noites e mais noites.
Até aquela noite...
Arion seguia pelo corredor, quando percebeu que tudo estava por silencioso demais, era tarde da noite, a luz da lua entrava por entre as janelas da parede Oeste do Monastério e iluminava fracamente as pedras claras da parede e o tapete no chão, delineava levemente o rosto preocupado do jovem Arion, com trajes outros e sem armadura e com sua espada em punho.
Caminhou devagar pelos corredores, procurando adentrar o quarto onde seu amigo estava sendo tratado. Entrou pelo quarto, que não possuia iluminação, isolado, seu companheir havia sido amarrado a cama por motivo de precaução e não estava mais lá, apenas as amarras cortadas, e Arion percebeu uma forma caída ao chão, era um dos sacerdotes, inconsciente.
Arion apressou o passo pelo corredor, seguindo mais a seus instintos do que qualquer direção racional, chegou até o pé da torre norte, e lá viu, Johannes gritava e se contorcia, as roupas que vestia se rasgavam a medida que ele aumentava de tamanho, sua face se deformava na face de um lobo monstruoso e de seu corpo cresciam pelos e garras apareceram nas mãos e nos pés, Arion não conseguia se mover.
Johannes atingiu dois sacerdotes, e subiu pelo muro, depois saltou e fugiu em direção a floresta...
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
sábado, 17 de outubro de 2009
Johannes - Missão nas Colinas de Aganor
"Seguimos por entre as colinas, seguindo o rastro de boatos e mistérios que deixava nosso alvo. Era minha primeira missão e eu estava muito entusiasmado - os camponeses da região de Aganor reclamavam de animais desaparecidos e na semana anterior uma criança também havia desaparecido.
Eu e um de meus melhores companheiros na ordem naquela época, Arion, seguimos por dias pela região das colinas, tudo o que haviamos encontrado até o terceiro dia eram apenas boatos e histórias desconexas, estavamos cansados e repousavamos sobre uma colina, observando a região a volta e conversando sobre as terras donde viemos, nossas expectivas e sobre a expedição.
- Então você largou uma vida de tranquilidade no Vale para vir até as terras baixas se tornar Cavaleiro? - disse Arion , rindo-se de mim.
- Ora, por que não? Não seria feliz naquele vale amigo, não quero uma vida simples afastado dos problemas e das coisas que acontecem. - respondi resoluto.
- Ah, um dia há de querer, eu vim da Capital, se pudesse ir para o Vale e lá me instalar , jamais voltaria a essas terras confusas, eu luto mais pelo dever que meu pai estabeleceu com a Ordem, do que por própria vontade, gostaria mesmo é estudar a Natureza, essas coisas que pensam não ser de um homem digno.
- Você é digno companheiro, encontrará seu caminho e olha a nossa volta, não existe lugar melhor para aprender sobre as coisas, inclusive sobre as coisas da Natureza, que nessas viagens que temos de fazer, agora, vamos descansar, a noite já vai funda e amanhã continuamos a navegar por esse mar de boatos, boa noite.
Deitamos e dormimos, o cansaço havia nos tomado, continuariamos conversando, mas nossos corpos que carregaram as armas e armaduras por todo o dia já não queria mais nos obedecer, era necessário que dormissemos, ao menos, um pouco.
De repente acordamos - rápidos e ao mesmo tempo, procurei de reflexo a bainha da espada - acordamos com um grito, olhamos um para o outro em silêncio, nos armamos e seguimos na direção - era um tanto a frente, umas duas pequenas colinas nos separavam do local, uma pequena casa na parte baixa, rodeada por uma plantação de milho e uma pequena estradinha.
Entramos pelo milho e acabamos nos separando.
Quando me aproximei da casa vi que havia uma criatura muito grande no quintal, ela ameaçava uma mulher que se encolhia na parede e chorava desesperada, havia muito sangue, provavelmente de uma vitima, sem pensar corri para cima da criatura e cravei a espada em suas costas - urrou de dor, os olhos muito vermelhos se voltaram para mim, seu rosto bestial, como de um lobo deformado tinha uma bocarra muito grande, mas onde os dentes desproporcionais não caberiam se estivesse fechada, preso nas costas da criatura, girei a espada e pulei, me afastando um pouco dela - sangrava, e seu sangue era vermelho como de um homem, tremi por dentro.
A mulher gritava, pedia para que parasse, eu não compreendi.
O momento de distração foi uma tolice, foi atingido no ombro pelas garras afiadas da criatura que me erraram por pouco meu pescoço, girei a espada quando voltava e a cortei na altura das pernas, a lamina era pouco eficiente, sentia que minha espada mais tendia a partir-se do que cortar a criatura. Então Arion chegou pelo flanco da criatura, atingindo-a no coração - novamente a criatura urrou, e voltou seu olhar cheio de fúria para meu companheiro. A mulher, continuava desesperada implorando que parassemos, eu continuava sem compreender. A criatura muito forte arrancou a espada de Arion de seu coração partindo-a, e o atingiu com uma pancada violenta com as costas de sua enorme mão e avançando saltou por cima dele para o meio da plantação, fugiu rapidamente, meu ombro doia demais, não consegui reagir e já não entendia o que se passava, apenas ouvia a mulher gritando, sentia a espada pesar demais e a minha vista...a escurecer..."
.
Eu e um de meus melhores companheiros na ordem naquela época, Arion, seguimos por dias pela região das colinas, tudo o que haviamos encontrado até o terceiro dia eram apenas boatos e histórias desconexas, estavamos cansados e repousavamos sobre uma colina, observando a região a volta e conversando sobre as terras donde viemos, nossas expectivas e sobre a expedição.
- Então você largou uma vida de tranquilidade no Vale para vir até as terras baixas se tornar Cavaleiro? - disse Arion , rindo-se de mim.
- Ora, por que não? Não seria feliz naquele vale amigo, não quero uma vida simples afastado dos problemas e das coisas que acontecem. - respondi resoluto.
- Ah, um dia há de querer, eu vim da Capital, se pudesse ir para o Vale e lá me instalar , jamais voltaria a essas terras confusas, eu luto mais pelo dever que meu pai estabeleceu com a Ordem, do que por própria vontade, gostaria mesmo é estudar a Natureza, essas coisas que pensam não ser de um homem digno.
- Você é digno companheiro, encontrará seu caminho e olha a nossa volta, não existe lugar melhor para aprender sobre as coisas, inclusive sobre as coisas da Natureza, que nessas viagens que temos de fazer, agora, vamos descansar, a noite já vai funda e amanhã continuamos a navegar por esse mar de boatos, boa noite.
Deitamos e dormimos, o cansaço havia nos tomado, continuariamos conversando, mas nossos corpos que carregaram as armas e armaduras por todo o dia já não queria mais nos obedecer, era necessário que dormissemos, ao menos, um pouco.
De repente acordamos - rápidos e ao mesmo tempo, procurei de reflexo a bainha da espada - acordamos com um grito, olhamos um para o outro em silêncio, nos armamos e seguimos na direção - era um tanto a frente, umas duas pequenas colinas nos separavam do local, uma pequena casa na parte baixa, rodeada por uma plantação de milho e uma pequena estradinha.
Entramos pelo milho e acabamos nos separando.
Quando me aproximei da casa vi que havia uma criatura muito grande no quintal, ela ameaçava uma mulher que se encolhia na parede e chorava desesperada, havia muito sangue, provavelmente de uma vitima, sem pensar corri para cima da criatura e cravei a espada em suas costas - urrou de dor, os olhos muito vermelhos se voltaram para mim, seu rosto bestial, como de um lobo deformado tinha uma bocarra muito grande, mas onde os dentes desproporcionais não caberiam se estivesse fechada, preso nas costas da criatura, girei a espada e pulei, me afastando um pouco dela - sangrava, e seu sangue era vermelho como de um homem, tremi por dentro.
A mulher gritava, pedia para que parasse, eu não compreendi.
O momento de distração foi uma tolice, foi atingido no ombro pelas garras afiadas da criatura que me erraram por pouco meu pescoço, girei a espada quando voltava e a cortei na altura das pernas, a lamina era pouco eficiente, sentia que minha espada mais tendia a partir-se do que cortar a criatura. Então Arion chegou pelo flanco da criatura, atingindo-a no coração - novamente a criatura urrou, e voltou seu olhar cheio de fúria para meu companheiro. A mulher, continuava desesperada implorando que parassemos, eu continuava sem compreender. A criatura muito forte arrancou a espada de Arion de seu coração partindo-a, e o atingiu com uma pancada violenta com as costas de sua enorme mão e avançando saltou por cima dele para o meio da plantação, fugiu rapidamente, meu ombro doia demais, não consegui reagir e já não entendia o que se passava, apenas ouvia a mulher gritando, sentia a espada pesar demais e a minha vista...a escurecer..."
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O Conto do Cavaleiro das Brumas
domingo, 11 de outubro de 2009
Johannes - Prólogo.
Na vila de Aledarin todos se conheciam, eram por volta de 15 familias, as quais já se confundiam nas gerações dos mais novos, que se estabaleceram ao longo do vale de Charvaiel, próximo ao Grande Nebuloso, o maior rio da região, que dá vida aos pés das montanhas e também à Grande Floresta.
Hoje é um dia fabuloso, os Cavaleiros da Ordem vieram escolher os novos iniciados.
Johannes, filho do carpinteiro Maisen, se coloca na fila dos jovens na expectativa de conhecerem a glória e a riqueza, de conhecerem lugares além das terras do Vale, ou da região da Grande Floresta ou de trazerem honra e uma vida melhor às suas familias. O jovem filho do carpinteiro tem apenas 13 anos, dizem que muito jovem para se tornar soldado , muito velho para se tornar cavaleiro, esse fardo todos ali compartilhavam, não havia guarda em Aledrin, afinal, além da Grande Floresta, tida como mágica, o Vale não é a região mais hospitaleira,e a vila em si era extremamente mal conhecida, apagada, dos livros de história e das vidas das pessoas de longe.
Os cavaleiros particularmente gostavam do lugar, era calmo, e bem protegido, distantes das máculas das intrigas e da guerra que rondavam a capital e as regiões mais desenvolvidas do reino, gostavam porque acreditavam que ali era possivel encontrar "hérois de carater sem igual".
Os jovens não sabiam disso, compartilhavam da agônia da seleção dos cavaleiros, não era exigida prova de nada, um deles se prostava a frente dos demais, montado a cavalo, fitava os jovens nos olhos e apontava.
Foi apontado para cada um, até que seu olhar cruzou com o de Johannes, fitaram-se por minutos, o jovem travou a respiração, mas mantinha o olhar firme, o Cavaleiro a frente aparentava ser o mais velho, tinha cabelos brancos, até a metade de suas costas, não usavam as armaduras usuais de batalha, usavam roupas de um viajante comum, surradas pelo tempo, e esse a frente se destacava, não só pela espada enorme que estava pendurada no cavalo, mas pelo simbolo que ostentava, já Johannes era baixo e magro, seu rosto fino e seu cabelo castanho claro, sem nenhuma barba no rosto, apenas aqueles olhos castanhos ousados que continuavam a fitar o cavaleiro fixamente. Então, o cavaleiro levantou sua mão, apotando para Johannes, e pediu que intergrasse a linha, foi o último escolhido do dia.
A vila festejava, enquanto os preparativos para a viagem eram feitos, os cavaleiros agora se misturavam as pessoas, exceto aquele que escolhera os novatos, este se prostrava mais distante da agitação na praça da cidade, observava a todos, com um mesclo de paz e compaixão no olhar.
Johannes o olhava de canto de olho, passando rápido, conversando com amigos, e parentes que estavam muito felizes por sua conquista.
- Quando voltares para casa, meu irmão, quero que me mostres o que aprendeu, e as terras que viu, pegue pelo menos uma pedra para vermos, qualquer coisa vale. - Ataellie, irmã do jovem, falava entusiasmadamente, para um irmão com um olhar perdido, notando isso, chamou-lhe a atenção: - Ei, estou falando contigo! Promete? - Voltando a si, Johannes respondeu:
- Ahn, claro, claro, eu trarei, e te contarei de minhas aventuras quando me tornar cavaleiro.
Seguindo em direção ao cavaleiro isolado, seguiu um dos que o acompanhava
- Não irá comer, nem comemorar senhor?
- Hmm, o que você acha do rapaz, Garthos?
- Ahm, do ultimo que escolheu não é? Você estava olhando estranho para ele.
- Ele parece frágil, mas seu olhar é firme, fico me perguntando o que será que o motiva.
- Ah senhor, já é quase uma tradição que venhamos ao Vale, esses jovens crescem desde
crianças, querendo e se inspirando nos legendários cavaleiros que vem escolhe-los.
- Claro, há aí um erro da Ordem, em alimentar o ego desses jovens soldados que saem daqui,
pensam-se mais puros do que os filhos de outras terras, se tornam, em sua grande maioria, cavaleiros arrogantes.
- Muito rígido seu julgamento mestre, até mesmo, quero lembra-lo, eu sou filho dessas terras também, lembra quando me escolheu?
- Sim sim, mas seu pai fora soldado, e você já tinha prática, viveu fora por um tempo, além do mais seu espirito se tornou forte ao longo desses anos, tanto que compartilhamos de armas em campo de batalha, eu já quase nada tenho a ensina-lo.
- Obrigado Mestre Zaius, é uma honra ouvir tais palavras, e por isso peço, mantenha sua esperança no povo do Vale, seremos capazes de superar a qualquer mal que possa afligir essas terras.
- A Luz em tempos tão escuros é muito díficil de ser encontrada, espero poder compartilhar de sua esperança em tempo breve.
Ao longo da noite as pessoas adormeceram, e logo cedo pela manhã, sem tempo para despedidas acaloradas, os cavaleiros montaram acompanhados dos jovens recrutados, treze ao todo, para partirem rumo a Capital, seriam longos três dias de viagem.
Hoje é um dia fabuloso, os Cavaleiros da Ordem vieram escolher os novos iniciados.
Johannes, filho do carpinteiro Maisen, se coloca na fila dos jovens na expectativa de conhecerem a glória e a riqueza, de conhecerem lugares além das terras do Vale, ou da região da Grande Floresta ou de trazerem honra e uma vida melhor às suas familias. O jovem filho do carpinteiro tem apenas 13 anos, dizem que muito jovem para se tornar soldado , muito velho para se tornar cavaleiro, esse fardo todos ali compartilhavam, não havia guarda em Aledrin, afinal, além da Grande Floresta, tida como mágica, o Vale não é a região mais hospitaleira,e a vila em si era extremamente mal conhecida, apagada, dos livros de história e das vidas das pessoas de longe.
Os cavaleiros particularmente gostavam do lugar, era calmo, e bem protegido, distantes das máculas das intrigas e da guerra que rondavam a capital e as regiões mais desenvolvidas do reino, gostavam porque acreditavam que ali era possivel encontrar "hérois de carater sem igual".
Os jovens não sabiam disso, compartilhavam da agônia da seleção dos cavaleiros, não era exigida prova de nada, um deles se prostava a frente dos demais, montado a cavalo, fitava os jovens nos olhos e apontava.
Foi apontado para cada um, até que seu olhar cruzou com o de Johannes, fitaram-se por minutos, o jovem travou a respiração, mas mantinha o olhar firme, o Cavaleiro a frente aparentava ser o mais velho, tinha cabelos brancos, até a metade de suas costas, não usavam as armaduras usuais de batalha, usavam roupas de um viajante comum, surradas pelo tempo, e esse a frente se destacava, não só pela espada enorme que estava pendurada no cavalo, mas pelo simbolo que ostentava, já Johannes era baixo e magro, seu rosto fino e seu cabelo castanho claro, sem nenhuma barba no rosto, apenas aqueles olhos castanhos ousados que continuavam a fitar o cavaleiro fixamente. Então, o cavaleiro levantou sua mão, apotando para Johannes, e pediu que intergrasse a linha, foi o último escolhido do dia.
A vila festejava, enquanto os preparativos para a viagem eram feitos, os cavaleiros agora se misturavam as pessoas, exceto aquele que escolhera os novatos, este se prostrava mais distante da agitação na praça da cidade, observava a todos, com um mesclo de paz e compaixão no olhar.
Johannes o olhava de canto de olho, passando rápido, conversando com amigos, e parentes que estavam muito felizes por sua conquista.
- Quando voltares para casa, meu irmão, quero que me mostres o que aprendeu, e as terras que viu, pegue pelo menos uma pedra para vermos, qualquer coisa vale. - Ataellie, irmã do jovem, falava entusiasmadamente, para um irmão com um olhar perdido, notando isso, chamou-lhe a atenção: - Ei, estou falando contigo! Promete? - Voltando a si, Johannes respondeu:
- Ahn, claro, claro, eu trarei, e te contarei de minhas aventuras quando me tornar cavaleiro.
Seguindo em direção ao cavaleiro isolado, seguiu um dos que o acompanhava
- Não irá comer, nem comemorar senhor?
- Hmm, o que você acha do rapaz, Garthos?
- Ahm, do ultimo que escolheu não é? Você estava olhando estranho para ele.
- Ele parece frágil, mas seu olhar é firme, fico me perguntando o que será que o motiva.
- Ah senhor, já é quase uma tradição que venhamos ao Vale, esses jovens crescem desde
crianças, querendo e se inspirando nos legendários cavaleiros que vem escolhe-los.
- Claro, há aí um erro da Ordem, em alimentar o ego desses jovens soldados que saem daqui,
pensam-se mais puros do que os filhos de outras terras, se tornam, em sua grande maioria, cavaleiros arrogantes.
- Muito rígido seu julgamento mestre, até mesmo, quero lembra-lo, eu sou filho dessas terras também, lembra quando me escolheu?
- Sim sim, mas seu pai fora soldado, e você já tinha prática, viveu fora por um tempo, além do mais seu espirito se tornou forte ao longo desses anos, tanto que compartilhamos de armas em campo de batalha, eu já quase nada tenho a ensina-lo.
- Obrigado Mestre Zaius, é uma honra ouvir tais palavras, e por isso peço, mantenha sua esperança no povo do Vale, seremos capazes de superar a qualquer mal que possa afligir essas terras.
- A Luz em tempos tão escuros é muito díficil de ser encontrada, espero poder compartilhar de sua esperança em tempo breve.
Ao longo da noite as pessoas adormeceram, e logo cedo pela manhã, sem tempo para despedidas acaloradas, os cavaleiros montaram acompanhados dos jovens recrutados, treze ao todo, para partirem rumo a Capital, seriam longos três dias de viagem.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Uma página solta sobre a mesa....
"Eu me recusaria se fosse opção, mas até onde caminhamos, sacrifícios serão necessários, e eu estou disposto a pagar o preço.
Neste momento meus vastos exercítos tomam controle de Avazh, a Grande Cidade, e meu irmão foge, em minha direção, desesperado, e hoje, seu destino haverá de ser selado.
- Mas por que ele? Por que Kereth?
Sua fraqueza o impede de se tornar um bom rei, iria desgraçar todo o trabalho que nossos ancestrais tiveram, seu desapego pelas tradições familiares, sua estratégia militar é pífia e sua ingenuidade ainda o faz crer que fomos traídos, eu e ele por General Krom, mas não.
Krom, Arzin, Efevrus, todos os membros da Antiga Academia, e do Conselho, a revelia da vontade de meu pai, contribuiram, mesmo sem saber para a crise em que estamos no momento.
Eu os conheço bem, a cada um deles, e de seus próprios demônios fiz um inferno em suas vidas, e aproveitei-me da situação conveniente para atear fogo ao país.
Agora, o povo insatisfeito com o "Principe Herdeiro", se revolta e ateia fogo, aos moinhos e aos campos. Os soldados do exercito patrulham as fronteiras, e enfrentam os rebeldes para conter o caos, ao mesmo passo, um destacamento de soldados de elite isola as cidades principais obrigando o jovem principe a fugir, convenientemente, para o Castelo de Marnastis,
sua única esperança de refugio, meu lar.
Posso ouvi-lo chegar, preciso ir, cuidar da recepção."
Neste momento meus vastos exercítos tomam controle de Avazh, a Grande Cidade, e meu irmão foge, em minha direção, desesperado, e hoje, seu destino haverá de ser selado.
- Mas por que ele? Por que Kereth?
Sua fraqueza o impede de se tornar um bom rei, iria desgraçar todo o trabalho que nossos ancestrais tiveram, seu desapego pelas tradições familiares, sua estratégia militar é pífia e sua ingenuidade ainda o faz crer que fomos traídos, eu e ele por General Krom, mas não.
Krom, Arzin, Efevrus, todos os membros da Antiga Academia, e do Conselho, a revelia da vontade de meu pai, contribuiram, mesmo sem saber para a crise em que estamos no momento.
Eu os conheço bem, a cada um deles, e de seus próprios demônios fiz um inferno em suas vidas, e aproveitei-me da situação conveniente para atear fogo ao país.
Agora, o povo insatisfeito com o "Principe Herdeiro", se revolta e ateia fogo, aos moinhos e aos campos. Os soldados do exercito patrulham as fronteiras, e enfrentam os rebeldes para conter o caos, ao mesmo passo, um destacamento de soldados de elite isola as cidades principais obrigando o jovem principe a fugir, convenientemente, para o Castelo de Marnastis,
sua única esperança de refugio, meu lar.
Posso ouvi-lo chegar, preciso ir, cuidar da recepção."
Evron Marnastis - Diário.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
O Nasni
[...] E os sons dos sinos ecoavam distantes a medida que a cidade se afastava. Não podia permanecer ali por mais nenhum dia. O cavalo seguia agitado pela estrada, a galope acelerado e o homem olhava para trás com frequência, apenas a lua iluminava o caminho por entre a estrada que entrecortava uma fazenda, a colheita estava quase em sua época, o mato alto que se erguia nas bordas da estrada, de cor indistinguivel sobre a luz noturna, encurava-se sobre ela de modo a parecer consumi-la e preenchia com ainda mais sombras os lugares que já eram sombrios por si mesmos.
O cavalo subiu uma colina, e do alto da colina avistaram a cidade que abandonavam, havia luzes na praça, o homem ofegava, seus traços eram gentis, usava uma cartola, seu rosto estava limpo, usava um monóculo, que com a correria se desprendera e agora estava pendurado, preso por uma corrente dourada ao capote negro, do rosto fino brotavam gotas de suor, e os olhos profundamente escuros fitavam a cidade com uma expressão mista entre o temor e o ódio. O capote aberto mostrava um colete e uma camisa branca, havia um broche, com o simbolo leonal nele, podia se ver também um bolso onde estaria um relogio ou coisa parecida. Na cintura carregava uma sabre bem adornada, e doutro lado uma pistola de polvora, as longas calças negras combinavam com o restante do conjunto e terminavam em botas leves, de couro duro e escurecido, mais apropriadas para cidades do que para estradas.
Desceu do cavalo, olhou para o lado oposto da cidade, tudo estava consumido pelas sombras da noite e a luz lunar lutava e perdia uma batalha contra todo um mundo de trevas, quase não iluminava, nunca além de uma densa paisagem de contornos escuros que quase não contrastavam. Não haviam estrelas no céu, e de repente, a própria Lua se escondeu por trás de uma nuvem, trazendo a escuridão total - o homem fechou os olhos, era um.
Conseguia ouvir os cavalos de seus algozes se aproximando.
Por que fora traído daquela forma?
Já não havia mais forças para resistir, decidira acabar com aquela história ali, na escuridão onde começara, e lutar, em seu habitat natural, contra aqueles que um dia lhe juraram lealdade, e levar quantos fosse possivel para qualquer lugar amaldiçoado que o esperava após a sua morte.
- E desembainhou a bela sabre.
Abriu os olhos, era outro, e mandou seu cavalo embora.
É que a Lua já sabia e se recusou a ver. E deu ao homem a escuridão desejada - e em meio as sombras, os gritos e os cortes, se misturavam ao grito de dor e as gargalhadas do espadachim, que com sua pompa de cavaleiro honrado, escondia dentro de si, monstro temeroso.
Riu, gargalhou, e matou por toda a noite.
E pela manhã, chorou, honrou e sepultou seus inimigos.
E sofria sempre assim - condenado a viver dividido em dois dentro de si,
e nunca conseguir tirar a própria vida.
Assim era "O Nasni", o espadachim louco.
.
O cavalo subiu uma colina, e do alto da colina avistaram a cidade que abandonavam, havia luzes na praça, o homem ofegava, seus traços eram gentis, usava uma cartola, seu rosto estava limpo, usava um monóculo, que com a correria se desprendera e agora estava pendurado, preso por uma corrente dourada ao capote negro, do rosto fino brotavam gotas de suor, e os olhos profundamente escuros fitavam a cidade com uma expressão mista entre o temor e o ódio. O capote aberto mostrava um colete e uma camisa branca, havia um broche, com o simbolo leonal nele, podia se ver também um bolso onde estaria um relogio ou coisa parecida. Na cintura carregava uma sabre bem adornada, e doutro lado uma pistola de polvora, as longas calças negras combinavam com o restante do conjunto e terminavam em botas leves, de couro duro e escurecido, mais apropriadas para cidades do que para estradas.
Desceu do cavalo, olhou para o lado oposto da cidade, tudo estava consumido pelas sombras da noite e a luz lunar lutava e perdia uma batalha contra todo um mundo de trevas, quase não iluminava, nunca além de uma densa paisagem de contornos escuros que quase não contrastavam. Não haviam estrelas no céu, e de repente, a própria Lua se escondeu por trás de uma nuvem, trazendo a escuridão total - o homem fechou os olhos, era um.
Conseguia ouvir os cavalos de seus algozes se aproximando.
Por que fora traído daquela forma?
Já não havia mais forças para resistir, decidira acabar com aquela história ali, na escuridão onde começara, e lutar, em seu habitat natural, contra aqueles que um dia lhe juraram lealdade, e levar quantos fosse possivel para qualquer lugar amaldiçoado que o esperava após a sua morte.
- E desembainhou a bela sabre.
Abriu os olhos, era outro, e mandou seu cavalo embora.
É que a Lua já sabia e se recusou a ver. E deu ao homem a escuridão desejada - e em meio as sombras, os gritos e os cortes, se misturavam ao grito de dor e as gargalhadas do espadachim, que com sua pompa de cavaleiro honrado, escondia dentro de si, monstro temeroso.
Riu, gargalhou, e matou por toda a noite.
E pela manhã, chorou, honrou e sepultou seus inimigos.
E sofria sempre assim - condenado a viver dividido em dois dentro de si,
e nunca conseguir tirar a própria vida.
Assim era "O Nasni", o espadachim louco.
.
domingo, 4 de outubro de 2009
De Zarture...
Era um ano cinzento, onde a praga levara muitos de nossos.
O doutor fazia de tudo para salvar nossos conterrâneos, e os viajantes que chegavam sem parar, tantos eram os doentes naquela época. Os homens da capital já haviam ido embora, seus grandes chapeus, seu sobretudo negro, suas armas já não eram vistas por ali mais, abandonaram todos.
Era dia do enterro de Leine , a esposa do Dr. Elius, havia se contaminado com a praga e ele apesar de todos os seus esforços não conseguiu salva-la.
Depois desse dia ninguem mais o viu direito.
Elius saia pouco de seu lar, afastado da cidade e parou de atender de graça, bem como quase parou de atender, filho de familia abastada na realidade não precisaria trabalhar se não quisesse, mas sempre fora médico, com muito gosto, por quase toda a vida.
Ele era um homem estudado, e curioso, sua vontade de compreender a vida era enorme.
Não aceitava a morte como coisa natural e dizia isso abertamente, certa vez fora alertado sobre isso, que a Morte em pessoa não ia gostar daquela declaração ousadia.
E por certo, não gostou, a praga matou seus dois primeiros filhos, Yoan, e Pietro, e agora, elvava sua mulher também, sobrara apenas Ivan , frágil e com tampoucas chances de sobrevivência quanto os irmãos.
Elius passou dias a refletir em sua casa sobre qual seria seu passo contra sua inimiga, por tudo queria encontrar remédio que impedi-la de concluir seu feito.
Há quem diga que um corvo agourento que o contou, outros dizem que foi visitado por demônios em seus pesadelos.
"Tive de fugir, não iria conseguir continuar. Ontem os retirei de lá. O que estou fazendo?
Não posso voltar atrás, vocês precisam entender, eu espero muito que entendam! E por favor, parem de me olhar desse jeito, por entre as portas e as frestas das janelas eu vejo seus olhares, com seus olhos eternamente tristes e em suas faces vejo apenas o cadaver que se tornaram!
Saiam, saiam de meus pesadelos, saiam de minhas esquinas, saiam dos cantos do meu quarto!
Eu fiz o que precisava fazer, ela já não ganhará mais, nunca mais! Não de nós! Ele é cada um de vocês, ele sobreviverá!"
Os corpos estavam multilados sobre a mesa, os ossos haviam sido alongados, e a pele era uma colhca de retalhos formados por peles de cores e sexos diferentes, a principio o plano era "unir a familia", mas precisou de mais corpos. O grande corpo que jazia no meio da mesa, era alto, porém magro, esticado, os ossos haviam sido aumentados com implantes de aço para estruturar melhor o corpo, na face deformada dintinguia-se uma boca grande por demais, e os olhos não haviam palbebras e eram amarelados por completo, sem pupilas, sem vida alguma , os braços muito longos pendiam para baixo, num angulo impossivel para um homem normal, as mãos eram finas e a ponta dos ossos não cabia em sua carne, rasgavam a pele e apareciam como garras macarbras para fora das mãos da criatura, era assexuada e tinha o dorso perfurações e marcas de costura, pequenos fios saiam de seu corpo ligando a outras partes conduzindo um fluido vermelho escuro e espesso, como sangue coalhado, ligavam do crânio as costas descendo pela coluna até sua base, as pernas eram anormalmente longas e se dobravam em lugares e de formas não humanas, nos pés faltava carne. O coração que pulsva eram os corações dos mortos, animados por um central, de um recém nascido, sacrificio inicial da criação diabolica.
Elius jazia num canto caido, atormentado por seus pesadelos, atormentado pelo sua insanidade: saberia, aquilo nunca daria certo. Não só perdera sua familia, mas assassinara seu último filho
na expectativa de vencer a morte.
Mas vencera: Levantou o rosto e bem na sua frente, sua criatura o contemplava em pé, dos olhos amarelos um brilho tenue se revelava.
E a criatura fez então, sua primeira refeição...
E entregou a Senhora Morte, seu maior inimigo.
E saiu, pela noite e saí,
Como caçador daqueles que não sabem morrer.
O doutor fazia de tudo para salvar nossos conterrâneos, e os viajantes que chegavam sem parar, tantos eram os doentes naquela época. Os homens da capital já haviam ido embora, seus grandes chapeus, seu sobretudo negro, suas armas já não eram vistas por ali mais, abandonaram todos.
Era dia do enterro de Leine , a esposa do Dr. Elius, havia se contaminado com a praga e ele apesar de todos os seus esforços não conseguiu salva-la.
Depois desse dia ninguem mais o viu direito.
Elius saia pouco de seu lar, afastado da cidade e parou de atender de graça, bem como quase parou de atender, filho de familia abastada na realidade não precisaria trabalhar se não quisesse, mas sempre fora médico, com muito gosto, por quase toda a vida.
Ele era um homem estudado, e curioso, sua vontade de compreender a vida era enorme.
Não aceitava a morte como coisa natural e dizia isso abertamente, certa vez fora alertado sobre isso, que a Morte em pessoa não ia gostar daquela declaração ousadia.
E por certo, não gostou, a praga matou seus dois primeiros filhos, Yoan, e Pietro, e agora, elvava sua mulher também, sobrara apenas Ivan , frágil e com tampoucas chances de sobrevivência quanto os irmãos.
Elius passou dias a refletir em sua casa sobre qual seria seu passo contra sua inimiga, por tudo queria encontrar remédio que impedi-la de concluir seu feito.
Há quem diga que um corvo agourento que o contou, outros dizem que foi visitado por demônios em seus pesadelos.
"Tive de fugir, não iria conseguir continuar. Ontem os retirei de lá. O que estou fazendo?
Não posso voltar atrás, vocês precisam entender, eu espero muito que entendam! E por favor, parem de me olhar desse jeito, por entre as portas e as frestas das janelas eu vejo seus olhares, com seus olhos eternamente tristes e em suas faces vejo apenas o cadaver que se tornaram!
Saiam, saiam de meus pesadelos, saiam de minhas esquinas, saiam dos cantos do meu quarto!
Eu fiz o que precisava fazer, ela já não ganhará mais, nunca mais! Não de nós! Ele é cada um de vocês, ele sobreviverá!"
Os corpos estavam multilados sobre a mesa, os ossos haviam sido alongados, e a pele era uma colhca de retalhos formados por peles de cores e sexos diferentes, a principio o plano era "unir a familia", mas precisou de mais corpos. O grande corpo que jazia no meio da mesa, era alto, porém magro, esticado, os ossos haviam sido aumentados com implantes de aço para estruturar melhor o corpo, na face deformada dintinguia-se uma boca grande por demais, e os olhos não haviam palbebras e eram amarelados por completo, sem pupilas, sem vida alguma , os braços muito longos pendiam para baixo, num angulo impossivel para um homem normal, as mãos eram finas e a ponta dos ossos não cabia em sua carne, rasgavam a pele e apareciam como garras macarbras para fora das mãos da criatura, era assexuada e tinha o dorso perfurações e marcas de costura, pequenos fios saiam de seu corpo ligando a outras partes conduzindo um fluido vermelho escuro e espesso, como sangue coalhado, ligavam do crânio as costas descendo pela coluna até sua base, as pernas eram anormalmente longas e se dobravam em lugares e de formas não humanas, nos pés faltava carne. O coração que pulsva eram os corações dos mortos, animados por um central, de um recém nascido, sacrificio inicial da criação diabolica.
Elius jazia num canto caido, atormentado por seus pesadelos, atormentado pelo sua insanidade: saberia, aquilo nunca daria certo. Não só perdera sua familia, mas assassinara seu último filho
na expectativa de vencer a morte.
Mas vencera: Levantou o rosto e bem na sua frente, sua criatura o contemplava em pé, dos olhos amarelos um brilho tenue se revelava.
E a criatura fez então, sua primeira refeição...
E entregou a Senhora Morte, seu maior inimigo.
E saiu, pela noite e saí,
Como caçador daqueles que não sabem morrer.
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