sábado, 17 de outubro de 2009

Johannes - Missão nas Colinas de Aganor

"Seguimos por entre as colinas, seguindo o rastro de boatos e mistérios que deixava nosso alvo. Era minha primeira missão e eu estava muito entusiasmado - os camponeses da região de Aganor reclamavam de animais desaparecidos e na semana anterior uma criança também havia desaparecido.
Eu e um de meus melhores companheiros na ordem naquela época, Arion, seguimos por dias pela região das colinas, tudo o que haviamos encontrado até o terceiro dia eram apenas boatos e histórias desconexas, estavamos cansados e repousavamos sobre uma colina, observando a região a volta e conversando sobre as terras donde viemos, nossas expectivas e sobre a expedição.

- Então você largou uma vida de tranquilidade no Vale para vir até as terras baixas se tornar Cavaleiro? - disse Arion , rindo-se de mim.
- Ora, por que não? Não seria feliz naquele vale amigo, não quero uma vida simples afastado dos problemas e das coisas que acontecem. - respondi resoluto.
- Ah, um dia há de querer, eu vim da Capital, se pudesse ir para o Vale e lá me instalar , jamais voltaria a essas terras confusas, eu luto mais pelo dever que meu pai estabeleceu com a Ordem, do que por própria vontade, gostaria mesmo é estudar a Natureza, essas coisas que pensam não ser de um homem digno.
- Você é digno companheiro, encontrará seu caminho e olha a nossa volta, não existe lugar melhor para aprender sobre as coisas, inclusive sobre as coisas da Natureza, que nessas viagens que temos de fazer, agora, vamos descansar, a noite já vai funda e amanhã continuamos a navegar por esse mar de boatos, boa noite.

Deitamos e dormimos, o cansaço havia nos tomado, continuariamos conversando, mas nossos corpos que carregaram as armas e armaduras por todo o dia já não queria mais nos obedecer, era necessário que dormissemos, ao menos, um pouco.
De repente acordamos - rápidos e ao mesmo tempo, procurei de reflexo a bainha da espada - acordamos com um grito, olhamos um para o outro em silêncio, nos armamos e seguimos na direção - era um tanto a frente, umas duas pequenas colinas nos separavam do local, uma pequena casa na parte baixa, rodeada por uma plantação de milho e uma pequena estradinha.
Entramos pelo milho e acabamos nos separando.
Quando me aproximei da casa vi que havia uma criatura muito grande no quintal, ela ameaçava uma mulher que se encolhia na parede e chorava desesperada, havia muito sangue, provavelmente de uma vitima, sem pensar corri para cima da criatura e cravei a espada em suas costas - urrou de dor, os olhos muito vermelhos se voltaram para mim, seu rosto bestial, como de um lobo deformado tinha uma bocarra muito grande, mas onde os dentes desproporcionais não caberiam se estivesse fechada, preso nas costas da criatura, girei a espada e pulei, me afastando um pouco dela - sangrava, e seu sangue era vermelho como de um homem, tremi por dentro.
A mulher gritava, pedia para que parasse, eu não compreendi.
O momento de distração foi uma tolice, foi atingido no ombro pelas garras afiadas da criatura que me erraram por pouco meu pescoço, girei a espada quando voltava e a cortei na altura das pernas, a lamina era pouco eficiente, sentia que minha espada mais tendia a partir-se do que cortar a criatura. Então Arion chegou pelo flanco da criatura, atingindo-a no coração - novamente a criatura urrou, e voltou seu olhar cheio de fúria para meu companheiro. A mulher, continuava desesperada implorando que parassemos, eu continuava sem compreender. A criatura muito forte arrancou a espada de Arion de seu coração partindo-a, e o atingiu com uma pancada violenta com as costas de sua enorme mão e avançando saltou por cima dele para o meio da plantação, fugiu rapidamente, meu ombro doia demais, não consegui reagir e já não entendia o que se passava, apenas ouvia a mulher gritando, sentia a espada pesar demais e a minha vista...a escurecer..."



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