domingo, 4 de outubro de 2009

De Zarture...

Era um ano cinzento, onde a praga levara muitos de nossos.
O doutor fazia de tudo para salvar nossos conterrâneos, e os viajantes que chegavam sem parar, tantos eram os doentes naquela época. Os homens da capital já haviam ido embora, seus grandes chapeus, seu sobretudo negro, suas armas já não eram vistas por ali mais, abandonaram todos.
Era dia do enterro de Leine , a esposa do Dr. Elius, havia se contaminado com a praga e ele apesar de todos os seus esforços não conseguiu salva-la.
Depois desse dia ninguem mais o viu direito.
Elius saia pouco de seu lar, afastado da cidade e parou de atender de graça, bem como quase parou de atender, filho de familia abastada na realidade não precisaria trabalhar se não quisesse, mas sempre fora médico, com muito gosto, por quase toda a vida.
Ele era um homem estudado, e curioso, sua vontade de compreender a vida era enorme.
Não aceitava a morte como coisa natural e dizia isso abertamente, certa vez fora alertado sobre isso, que a Morte em pessoa não ia gostar daquela declaração ousadia.
E por certo, não gostou, a praga matou seus dois primeiros filhos, Yoan, e Pietro, e agora, elvava sua mulher também, sobrara apenas Ivan , frágil e com tampoucas chances de sobrevivência quanto os irmãos.
Elius passou dias a refletir em sua casa sobre qual seria seu passo contra sua inimiga, por tudo queria encontrar remédio que impedi-la de concluir seu feito.
Há quem diga que um corvo agourento que o contou, outros dizem que foi visitado por demônios em seus pesadelos.



"Tive de fugir, não iria conseguir continuar. Ontem os retirei de lá. O que estou fazendo?
Não posso voltar atrás, vocês precisam entender, eu espero muito que entendam! E por favor, parem de me olhar desse jeito, por entre as portas e as frestas das janelas eu vejo seus olhares, com seus olhos eternamente tristes e em suas faces vejo apenas o cadaver que se tornaram!
Saiam, saiam de meus pesadelos, saiam de minhas esquinas, saiam dos cantos do meu quarto!
Eu fiz o que precisava fazer, ela já não ganhará mais, nunca mais! Não de nós! Ele é cada um de vocês, ele sobreviverá!"

Os corpos estavam multilados sobre a mesa, os ossos haviam sido alongados, e a pele era uma colhca de retalhos formados por peles de cores e sexos diferentes, a principio o plano era "unir a familia", mas precisou de mais corpos. O grande corpo que jazia no meio da mesa, era alto, porém magro, esticado, os ossos haviam sido aumentados com implantes de aço para estruturar melhor o corpo, na face deformada dintinguia-se uma boca grande por demais, e os olhos não haviam palbebras e eram amarelados por completo, sem pupilas, sem vida alguma , os braços muito longos pendiam para baixo, num angulo impossivel para um homem normal, as mãos eram finas e a ponta dos ossos não cabia em sua carne, rasgavam a pele e apareciam como garras macarbras para fora das mãos da criatura, era assexuada e tinha o dorso perfurações e marcas de costura, pequenos fios saiam de seu corpo ligando a outras partes conduzindo um fluido vermelho escuro e espesso, como sangue coalhado, ligavam do crânio as costas descendo pela coluna até sua base, as pernas eram anormalmente longas e se dobravam em lugares e de formas não humanas, nos pés faltava carne. O coração que pulsva eram os corações dos mortos, animados por um central, de um recém nascido, sacrificio inicial da criação diabolica.
Elius jazia num canto caido, atormentado por seus pesadelos, atormentado pelo sua insanidade: saberia, aquilo nunca daria certo. Não só perdera sua familia, mas assassinara seu último filho
na expectativa de vencer a morte.
Mas vencera: Levantou o rosto e bem na sua frente, sua criatura o contemplava em pé, dos olhos amarelos um brilho tenue se revelava.

E a criatura fez então, sua primeira refeição...
E entregou a Senhora Morte, seu maior inimigo.

E saiu, pela noite e saí,
Como caçador daqueles que não sabem morrer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário